quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Forasteiro e o garotinho triste

Em um dia sombrio( como o é nosso desejo irracional e animalesco), Diógenes, o hiperbóreo, caminhava pela praia, sozinho; de repente, ao longe contemplou um menino, sentado junto às pedras, chorando de tanto refletir sobre os conflitos existentes em nossas monótonas vidas.Tinha acabado de refletir com seus pais, devido ao fato de ele ter se relacionado com algumas pessoas "demoníacas"- pessoas estas que haveriam de queimar para sempre nas chamas eternas da danação divina.Diógenes caminha ao encontro do garoto.
-Olá! por que choras, filho do bondoso deus?-disse diógenes.
-Choro, porque as pessoas ao redor estão sempre a apunhalar-me pelas costas.
-Oh! meu filho, eis que agora eu te trago consolo, a solução para o fim de teu sofrimento.
O menino, pensando que, enfim, achara alguém que realmente desse atenção especial a ele, oferecendo palavras de vigor e ânimo para continuar vivendo, anima-se e pergunta:
-Por acaso trazes-me alguma mensagem religiosa para animar minha perturbada alma? porque se assim o for, estarei disposto a recebê-la de bom grado.
Diógenes, com o olhar mórbido, contemplou as ondas, que não se cansavam de beijar a praia, e disse:
-Não, filho meu! não penses que te trago um consolo para teu bem viver;pelo contrário, te digo: a única solução para a dor é a morte.O restante, que os religiosos vendem como remédio barato, é ilusão e engodo.Se queres sofrer, vai e procura ao máximo satisfazer tuas vontades, e sempre encontrarás decepção, antipatia e, no máximo das ilusões, convenções institucionais (produto do medo da morte).Agora se queres alívio, não contenhas teu choro e lágrimas;concentra-te ao máximo para reunir em tua mente toda a desgraça existencial e, quando teu cérebro já não aguentar mais de tanta revolta e cólera, e as lágrimas se confundirem com as próprias ondas do mar, lembra-te que não ofereci consolo algum para esta vida (nem esperanças supraterrenas);então, atira-te ao mar, porque ele te receberá com empatia...sim, o mar alegrar-se-á com tua sabedoria, e, por teres tido a coragem de dizer não à vida que teu deus bondosos  criou, o mar será o único a te compreender realmente, porque o mar não tem o nosso raciocínio.   

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